DOSSIÊ MCQUEEN – very very sad

11Feb10

portalffwAlguém diz que isso NÃO é verdade “McQueen commits suicide” http://ow.ly/16jo5 @McQueenWorld about 8 hours ago from HootSuite (via Twitter)

Parece que a notícia começou a circular às 13h, mais ou menos. Eu estava no trabalho – sem internet por perto – cheguei em casa e  liguei o computador há 40 minutos (20:40hs). Agora, já é notícia confirmada.

Difícil organizar as palavras e para enumerar todos os porquês que fazem desta uma notícia horrível; guardo de McQueen algumas imagens muito fortes nos anos 90, umas outras mais recentes, e uma enorme simpatia e carinho à distância que a gente sempre tem por pessoas que tentam fazer as coisas de um modo nada convencional.

Então, a proposta do FKM#MAG nesta triste ocasião é a seguinte: reunir aqui os textos e imagens que estão se acumulando na internet desde que a notícia tornou-se oficial – MUITA GENTE SE MANIFESTANDO, todo mundo meio triste e chocado.

E as imagens. As pessoas se vão; mas as imagens, sorte nossa, acabam ficando…

These boots were made for walking. On air.

(palavras da jornalista Vivane Whiteman)

Revista Dazed and Confused, setembro de 1998 – imagens marcantes de um ensaio fotográfico realizado com deficientes físicos como modelo. São algumas das minhas imagens preferidas.

O site de Lilian Pacce fez uma retrospectiva bem bacana de imagens que tentam resumir a trajetória de Alexander McQueen. Vale a pena visitar, baixar as imagens e guardar.

Quem tiver paciência em assistir com calma, há também uma grande quantidade de vídeos de desfiles de McQueen no You Tube.

Alguns vídeos de momentos impactantes de seus desfiles; organizado pelo portal Fashion Forward.

Segundo o portal Fashion Forward, Alexander McQueen desfilaria hoje em Nova York  com sua segunda marca, a McQ. O desfile foi, obviamente, cancelado. Não há nenhuma notícias sobre os desfiles que aconteceriam em Londres e Paris logo mais.

O site também publicou uma pequena biografia do estilista – links por FKM#MAG:

Lee Alexander McQueen nasceu no dia 17 de março de 1969 em Londres, filho mais jovem de uma família de seis irmãos.

Aos 16 anos de idade começou sua carreira na moda trabalhando em diferentes ateliês de alfaiataria na famosa Savile Row, rua no centro de Londres especializada no ramo. Lá também praticou o ofício de figurinos teatrais e fazia roupas para clientes como Mikhail Gorbachev e o Príncipe Charles. Uma das lendas que McQueen fomentou ao longo de sua vida é que ele teria costurado a frase “I am a cunt” (algo como “sou uma puta”) na face interior da manga de um paletó encomendado pelo príncipe. Quando completou 20 anos de idade, passou a trabalhar com Koji Tatsuno e na sequência se mudou para Milão, na Itália, onde trabalhou com Romeo Gigli.

McQueen voltou a Londres em 1994 para estudar na prestigiosa escola Central Saint Martins College of Art and Design. Lá obteve seu mestrado em Design de Moda e vendeu sua coleção de graduação (inteira) para a stylist Isabella Blow, que se tornaria não apenas sua melhor amiga, mas também sua musa inspiradora. Blow se suicidou por meio de envenenamento em 2007.

Em 1997, a cantora Björk capitaneou McQueen para o figurino da capa de “Homogenic”. Em 2006, a parceria com a cantora se estendeu a uma colaboração épica no Fashion Rocks.

(na minha opinião, esta é a melhor roupa do McQueen para a Bjork – Oscar de 2001)

Conhecido como o hooligan (do inglês “cruel e brutal”) e l’enfant terrible (do francês “a criança terrível”) da moda inglesa, Alexander ganhou fama com sua moda controversa e chocante sempre apresentada em desfiles de cunho teatral. Barcos naufragados, tabuleiros de xadrez em tamanho gigante, hologramas de supermodelos, robôs pichadores e a Floresta Amazônica já serviram como pano de fundo para seus desfiles mais marcantes.

Em meados dos anos 1990, McQueen substituiu John Galliano na direção criativa da Givenchy. A parceria seria conturbada: McQueen insultaria publicamente a memória do francês Hubert de Givenchy dizendo que o estilista “havia sido uma figura irrelevante para a moda”. Sua primeira coleção desenhada para a maison foi considerada, por ele mesmo, “um lixo”. O tom baixou e McQueen ficou na Givenchy até 2001, quando rescindiu o contrato alegando “divergências criativas”.

Entre os anos de 1996 e 2003 ele ganhou quatro vezes o prêmio de “British Designer of the Year” e também foi concedido o emblema de “Commander of the British Empire” (CBE), título entregue em cerimônia formal realizada pela Rainha Elizabeth.

Menos enciclopédico e bastante emocionado, o texto de Erika Palomino resume um pouco os motivos que fazem a dimensão do acontecimento de hoje:

“Contemporâneo é aquele que mantém fixo seu olhar no seu tempo, para nele perceber não as luzes, mas o escuro. Todos os tempos são, para quem deles experimenta contemporaneidade, obscuros. Contemporâneo é justamente aquele que sabe ver essa obscuridade, que é capaz de escrever mergulhando a pena nas trevas do presente.”
Giorgio Agamben, filósofo italiano.

E assim se vai Alexander McQueen. Deixando incrível legado. Rebeldia, contestação, inconformismo. Talento, técnica, transgressão. Encontrado morto em sua casa em Londres hoje pela manhã, o estilista inglês era um ícone, um dos artífices e tradutores do espírito de sua geração. Vai fazer falta. O mundo fica (ainda) mais careta. Perdemos um dos nossos.

Deprimido com a morte de sua adorada mãe, há algumas semanas, e talvez inspirado pelo próprio suicídio da mentora Isabela Blow, que o descobrira, McQueen seguiu este mesmo triste caminho.

Filho de um motorista de táxi, McQueen aprendeu seu ofício com os mestres alfaiates de Savile Row, daí seu extremo domínio de corte, acabamento e silhueta. Alfaitaria, punk, militarismo, natureza compõem o vocabulário único de seu estilo. Exímio criador de imagens, fez vestidos que logo alcançaram status de obras de arte, mostrados em apresentações que, temporada após temporada, sempre deixavam os fashionistas ansiosos, excitados e, quase sempre, em êxtase. Expect the unexpected. E o inesperado acontecia.

Tive a oportunidade de ver muitos de seus desfiles, alguns dos mais marcantes. Não cheguei a conhecê-lo, mas o entrevistei, por fax (!), pré-Internet, no início dos anos 90, e tinha alguns amigos em comum. Todos torcíamos por cada vitória e por cada volta por cima em sua vida piscinianamente passional, cheia de extremos, um fênix.

E foi ele quem primeiro saiu em defesa de sua amiga Kate Moss, com a famosa t-shirt=manifesto We Love You Kate. E quem a transformou em holografia de sonho no inverno 2006… E quem se lembra do jogo de xadrez do verão 2005? Ou de Shalom Harlow sendo coberta por jatos de tinta que vinham de robôs, ou do histórico desfile da neve (verão 1999). E a homenagem a Hitchcock em 2005? E o circo do terror, em 2001, quando brinquedos do mal e um carrossel desenhavam o palco armado num galpão em East London (o primeiro McQueen a gente nunca esquece). Ou ainda: outro circo, o de bondage e fetiche do inverno 2009. Fora das passarelas, pense em Bjork, Nick Kight, e do ensaio histórico dos deficientes na “Dazed & Confused”.

Teimoso, radical, iconoclasta, McQueen será lembrado para todo o sempre. Mas se me fosse perguntado qual o mais emocionante, eu diria que foi o verão 2004, inspirado em “A Noite dos Desesperados”, feito em 1969 por Sidney Pollack. Com coreografia de Michael Clark (olhaí outro contemporâneo!), as modelos desfilam as roupas como os participantes da maratona de dança que o filme mostra.

Em McQueen o corpo é político, e em suas coleções havia camadas de mensagens, mais ou menos explícitas, para os insiders da moda, para seus críticos ou seus fãs. O “final bow” do estilista aconteceu ao som de Lady Gaga, na primeira vez que o mundo ouviu “Bad Romance”. Depois, no clipe, a cantora vestiria as roupas do desfile, na imagem que vai marcar os tempos de hoje. Mais contemporâneo impossível. Como eu disse, um grande legado. Valeu, Lee McQueen.

Obrigada.

Erika Palomino

PS: Desde o término do SPFW penso em escrever por aqui, mas nada me moveu. Hoje, não apenas quis escrever, mas precisei, pois me emocionei de verdade. Que os pensamentos das pessoas em todo o mundo se convertam em orações.

Notícias em diversos lugares falam da ligação de McQueen com sua mãe, falecida há apenas oito dias. Alguns acreditam que o estilista não teria superado a morte dela: ele postou em seu perfil no Twitter -já retirado do ar – uma entrevista que ele concedeu a Joyce McQueen em 2004 (ffw.com.br). Para quem puder ler em inglês, a conversa entre os dois é bastante interessante. De acordo com o The Fashionbly independent, ela seria enterrada amanhã, dia 12/02:  infelizmente, McQueen preferiu fazer companhia à mãe.

Mais impressões sobre a morte de alexander McQueen – VAMOS ATUALIZANDO ESTA LISTA DE LINKS À MEDIDA QUE FOREM SAINDO MAIS NOTÍCIAS:

11/02/2010

texto de Katie Grand, da revista Love (versão em inglês)

post das meninas do Oficina de Estilo

post da Thaís Losso , ela publicou a tela – com tradução – das últimas twittadas de McQueen

texto de Camila Yahn para o Glamurama

12/02/2010

fashionistas comentam a morte do estilista; por Lilian Pacce

obituário de McQueen, publicado hoje no jornal britânico The SundayTimes (versão em inglês)

13/02/2010

homenagem durante a semana de moda de Nova York

Última campanha capitaneada por McQueen, com a modelo brasileira Raquel Zimmermann.

Encerrando esta já extensa homenagem, deixo um texto do Alejandro Mendes, meu super-ex-namorado-atual-grande-amigo. Liguei para ele para contar assim que soube, e ele me contou a história do Gianni Versace que vocês já lerão. Pedi a ele que transformasse a história em texto, e aqui está, lindamente escrito.

Dejá vu

Como em uma comédia muito ruim, parece que alguns “key frames” da minha vida são marcados pela tragédia de alguma celebridade. Há alguns anos, quando estava na faculdade, na véspera de pegar o meu primeiro freela, Marlon Brandon morreu. Anos depois, logo no dia que faço o registro acadêmico para a minha segunda graduação, que por ironia é justamente Design de Moda, morre Alexander McQueen. Foi encontrado morto em sua casa esta manhã.

Não vou me dar ao trabalho de fazer uma lista de todos os trabalhos que ele fez, ou gastar todo o meu vocábulario enaltecendo a sua importância, mas apenas dizer o quanto eu amo o trabalho que ele fez para a Chloe.

Esta última novidade me faz lembrar do ano de 1997, mais precisamente o mês de julho, quando eu estava em Miami, conhecendo alguns parentes distantes, e Gianni Versace foi assassinado. Me lembro claramente da comoção geral na cidade, como Coconut Grove foi tomada de fora a fora, milhares, talvez até mesmo milhões de pessoas tentavam se aproximar da casa do estilista na Art Déco Avenue.

Fico imaginando se o mesmo sentimento vai tomar Londres. Deveria, pois se trata do maior estilista que o Reino Unido verá, em muito tempo.

Alejandro Mendes, especial para o FKM#MAG.

Imagens do último desfile de Alexander McQueen: Primavera 2010 (outubro de 2009). Antes elas eram imagens lindas; agora são imagens históricas…



2 Responses to “DOSSIÊ MCQUEEN – very very sad”

  1. LÍSIA,
    Coloquei no nosso blog uma matéria do estadão, olha lá…
    A vida é assim mesmo, uma hora a gente cansa, mas poucos têm a coragem de dizer “cansei” , como ele.


  1. 1 HORA DE DIZER OI AO FKM # MAG! « FASHION KILLS ME

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