ENCONTROS E DESENCONTROS ENTRE MODA E FILOSOFIA

09Apr10

POST EM CONSTRUÇÃO! É TUDO ISSO QUE ESTOU PENSANDO, MAS TÁ MUITO TRUNCADO AINDA… ALGUMA HORA ACERTO ESSA REDAÇÃO… TENHA MISERICÓRDIA, QUERIDO LEITOR!!!!

Desde que comecei a cursar moda, em 2009, fui avisada da existência de uma bibliografia extensa sobre o assunto, que estou longe de alcançar a metade. Esse momento  da minha vida particular coincide com um  súbito interesse do mercado editorial brasileiro sobre a moda, e várias livrarias da cidade já tem a sua prateleira “moda” organizada – umas muito bem, outras muito mal, é verdade, mas a mudança já começou.

Traduzindo: nunca houve tantos livros de moda disponíveis, e mais do que nunca estou – eu e todo mundo ligado em moda – motivada a buscar cada vez mais informação.

Então a gente cai, rapidinho, no “Império do Efêmero”, de Gilles Lipovetsky, escrito em 1987. Impossível fazer uma resenha por enquanto, já que não terminei o livro, mas ele abre sua reflexão falando da distância que havia entre moda em academia no final dos anos 80, na França (só lá?).

Para o autor, bastava para a academia colocar toda a subjetividade da moda dentro  da luta de classes e estava resolvido: os pobres imitavam os ricos, e esses, para se diferenciarem dos pobres, inventavam novas modas. Por muito tempo, segundo Lipovetsky, o pensamento acadêmico em moda seguiu apenas essa direção.

Para a felicidade de todos, este cenário tem mudado nos últimos vinte anos, e sobram pesquisas sérias e informações interessantes para serem lidas, desdobradas e aprofundadas. E, claro, também não faltam contradições no universo fashion carentes de uma explicaçãozinha mais lúcida…

Taí a Revista Dobras que não me deixa mentir!

Mas minha idéia ao escrever esse post foi compartilhar com vocês uma “viagem” minha sobre esse assunto, ao assistir pela enésima vez “Encontros e Desencontros” (“Lost in Translation”, 2003, Sofia Coppola). Todo mundo conhece a história do filme, que já tá quase ficando batida, então vou direto ao assunto.

Charlotte (Scarlett Johansson), é uma jovem mulher que ainda não encontrou seu rumo na vida, apesar de ter se formado em filosofia em uma conceituada faculdade. Ela é casada com John (Giovanni Ribisi), um importante fotógrafo de moda.

Ao longo do filme, eles apenas se desentendem. São carinhosos um com o outro, mas não compreendem seus universos: John acha Charlotte arrogante quando ela fala em filosofia; ela acha o marido fútil quando ele se refere ao seu cotidiano de trabalho. A cena em que o jovem casal encontra uma atriz tipicamente hollywoodiana no corredor do hotel é bem clara neste aspecto.

Mas a falta de compasso entre Charlotte e John não é exclusiva do casal: a não ser para os pesquisadores em moda, moda e filosofia/universo acadêmico não estão destinados a um happy end.

Faça um experimento: levante, em meio a uma conversa séria, uma observação sobre moda. Mas capriche, diga alguma coisa realmente interessante, e não uma asneira qualquer sobre a vida pessoal de um estilista gay suicida. Quanto mais “intelctual” o ambiente, maior será o constrangimento – e a sua vontade de rir – diante da reação alheia a sua contribuição à reflexão coletiva.

Charlotte e John precisam se reconciliar! Nada mais chato que alguém que é sério o tempo todo, ou fútil em tempo integral… Pensadores dos outros campos do conhecimento precisam ser mais receptivos a uma discussão sobre moda; assim como fervedores profissionais, por outro lado, também podiam deixar o glamour da moda um pouco de lado e começar e acordar para abordagens menos superficiais de sua área de trabalho.

Tudo isso poderia ser apenas ao meu devaneio do filme, mas fquei pensando se o desencontro intelectual do casal não foi algo mais proposital dentro da história, uma vez que Sofia Coppola também é designer: ela já teve uma marca, a Milk Fed; e recentemente desenhou peças para a Louis Vuitton. Assim, ela é alguém que conhece o universo da moda por dentro.  Será que ela não quis plantar  essa questão  sutil em seu segundo filme?

Para terminar a provocação, uma análise do figurino de Charlotte: como alguém que acha moda uma coisa idiota pode ter um gurda-roupa tão bacana, genuinamente preppy?

Quem acha que vive totalmente fora do universo da moda ou está equivocado, ou usa o típico gibão do século XIV. Não há como não se relacionar com a moda no mudo de hoje, mesmo que você não queira…

Né, Charlotte? Me empresta sua blusa da Lacoste



One Response to “ENCONTROS E DESENCONTROS ENTRE MODA E FILOSOFIA”


  1. 1 HORA DE DIZER OI AO FKM#MAG II « FASHION KILLS ME

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